Cristina Córdova, artista porto-riquenha, trabalha e vive na Carolina do Norte. Seu trabalho é inspirado na iconografia da igreja Católica, nas ideias sobre criação, crucificação e na difícil natureza de existir. Muitos críticos rotulam seu trabalho como realista mágico.
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terça-feira, 12 de novembro de 2013
cristina córdova: the difficult nature of existence
Cristina Córdova, artista porto-riquenha, trabalha e vive na Carolina do Norte. Seu trabalho é inspirado na iconografia da igreja Católica, nas ideias sobre criação, crucificação e na difícil natureza de existir. Muitos críticos rotulam seu trabalho como realista mágico.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
beleza sublime e grotesca cravadas na pedra
David (Michelangelo) e David (Bernini)
Essas duas esculturas de David, nas concepções de Michelangelo e Bernini, deixam claras duas marcas do Renascimento e do Barroco: respectivamente o sublime e o grotesco.
Apesar de Michelangelo, na pintura do "O Juízo Final", apresentar uma tempestade maneirista, o seu David nos mostra toda a paz sublime renascentista. A figura está totalmente relaxa, nenhuma tensão aflora dessa figura de quase 6 metros de altura.
Já o David, de Bernini, está com a musculatura completamente contorcida, o rosto contraído e o eixo de equilíbrio da peça muda de acordo com o ângulo de visão do observador.
Toda essa tensão na peça de Bernini é uma subversão do sublime renascentista, em que as personagens elevadas não são afligidas pelas marcas das expressões mundanas. Somente as personagens grotescas e mundanas poderiam apresentar expressões sem serenidade.
Esse padrão de uso do sublime e do grotesco é utilizado até hoje. Veja, por exemplo, as novelas mexicanas, quando a mocinha (personagem elevada) chora, seu pranto é silencioso, seu rosto não se contrai, apenas uma lágrima serena desce calmamente sobre sua face. Já a vilã (personagem grotesca) chora gritando e contorcendo todos os músculos de sua face.
O que Bernini faz com seu David, é fundir sublime e grotesco, nos oferecendo um herói de grande beleza mas assolado por marcas mundanas.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Bernini: a experiência da carne
Bernini é considerado, ao lado de Michelangelo, um dos maiores expoentes da história da escultura. As esculturas do artista possuem uma expressividade nos rostos e um movimento que superam a elaboração de Michelangelo.
Dafne e Apolo
Em Dafne e Apolo, podemos notar a habilidade de Bernini em inserir o observador na ação. Vemos o modo desesperado em que Dafne tenta fugir de um Apolo alucinado e como a cena é captada no exato momento em que a ninfa é transformam num loureiro, por Peneu, para protegê-la.
Persephone
As estátuas de Bernini eram tão sensuais que se dizia que eram capazes de despertar o desejo em qualquer ser humano que as observasse.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
poesia eletrônica: negociações com os processos digitais
ANTONIO, Jorge Luiz. Poesia Digital:
negociações com os processos digitais: teoria, história, antologias. São Paulo:
Navegar Editora; FAPESP. Columbus, Ohio, EUA: Luna Bisonde Prods. Itu, SP:
Autor, 2010. Acompanha 1 DVD.
Resenhado por Patrícia Ferreira da Silva Martins
Escrever sobre a poesia digital não
é tarefa nada fácil. As dificuldades se impõem a partir das controvérsias em
relação às fronteiras que envolvem o conceito de poesia digital e à
multiplicidade de termos usados para definir aspectos dessa poesia relativamente
nova. Há, ainda, o problema da infinidade de procedimentos que constituem essa
prática e, consequentemente, da proliferação contínua de exemplos de poesias ligados
a esses inúmeros procedimentos. Além disso, não podemos deixar de mencionar a
questão da escassez de referências sobre o tema.
Em Poesia Digital: negociações com os processos digitais: teoria,
história, antologias, no entanto, o doutor e mestre em Comunicação e
Semiótica Jorge Luiz Antonio consegue dar conta dessa tarefa de maneira clara, até
mesmo para o leitor não iniciado, sobretudo pela organização da estrutura em
que o estudo se desenvolve, com capítulos que formam planos complementares, e
pela linguagem acessível utilizada pelo autor, que oferece, ademais, o auxilio
de um glossário para os casos mais complicados. Aos estudiosos da área, a obra
oferece uma rica antologia internacional de textos teóricos, uma antologia de
poemas e outra antologia de poemas comentados de acordo com tipologias
específicas, além de uma bibliografia que oferece subsídios para o estudo do assunto
sob os mais diferentes pontos de vista.
Esta é a segunda edição revisada do
livro/CD-ROM Poesia Eletrônica:
negociações com os processos digitais, publicada em 2008, que constitui a
tese de doutoramento do autor, de 2005. Em edição bilíngüe (inglês/português),
o livro/DVD pode ser lido em hard copy e,
simultaneamente, acessado em suas páginas eletrônicas, armazenadas no DVD. A
apresentação em forma impressa e digital é fundamental para abarcar a quantidade
de informação necessária para a compreensão da poesia digital — computadas as
páginas impressas e eletrônicas do livro/DVD, somam-se cerca de 1500 páginas.
As páginas eletrônicas oferecem ao leitor acesso rápido aos mais diferentes
exemplos de poesia digital, em cores ou p&b, nos arquivos locais (DVD) ou
via Rede (WWW). Essa flexibilidade de
acesso e capacidade de espaço, favorecidos pelo formato digital, posiciona o
trabalho de Jorge Luiz Antonio um passo à frente do não menos importante estudo
Prehistoric Digital Poetry: an
archaeology of forms, 1959-1995 (Tuscaloosa, University of Alabama Press,
2007), de Chris Funkhouser.
É importante ressaltar que a obra
permite novas inserções, correções, comentários e alterações realizadas com a
ajuda do leitor (ciber/leitor), o que a torna uma obra interativa,
hipertextual, in progess e in process. Por essa razão, o autor
criou um blog
<http://jlantonio.blog.uol.com.br>, para que o leitor se intere de todas
as alterações realizadas. Essas características, entre outras, mostram a força
surpreendente do livro/DVD ao dar um estímulo indiscutível para o leitor interessado.
O livro/DVD pode ser descrito como
um estudo documentado e uma história analítica da poesia digital, com especial
destaque ao trabalho de poetas, tanto do Brasil como do exterior, que têm usado
a tecnologia na criação de uma nova estética. Entre estes poetas, destaco o
resgate que o autor faz do poeta e engenheiro brasileiro Erthos Albino de Souza
(1932-2000), com a inclusão de dois poemas precursores da poesia digital no
Brasil, “Le Tombeau de Mallarmé”
(1972) e “Ninho de Metralhadoras” (1976), criados com o auxílio de um
supercomputador, e do mais recente “Cidade/City/Cité” (1985).
O estudo de Jorge Luiz Antonio é
dividido em três partes: teoria, história e antologias, que se desdobram em oito
capítulos: I - poesia e tecnologia: tecnopoesia; II - poesia, arte, ciência e
tecnologia; III - cronologia; IV - poesia eletrônica; V - poesia e
computador(es); VI - tipologia e exemplos comentados; VII - antologia de
poesias; e VIII - antologia de textos teóricos.
A capa do livro apresenta o
infopoema “Az Cor”, do poeta português E. M. de Melo e Castro. A imagem que
pode ser vista animada, a partir da opção “start”
do DVD, é suficiente para que o leitor tenha uma noção prévia das mutações e
transmutações sofridas pela palavra no contexto digital e, consequentemente,
das mediações e negociações do poeta com as tecnologias.
Esta obra enriquece uma bibliografia
ainda restrita acerca de um processo que tem origem antes mesmo do surgimento
do computador na poesia das vanguardas, poesia concreta, visual e experimental.
Na antologia de poemas, selecionada pelo autor, é possível traçar todo esse
percurso da “pré-história” da poesia digital. A partir do século XIX, essa
poesia sofre transformações devido ao surgimento de tecnologias como a fotografia,
o rádio, a televisão, o vídeo, a holografia etc., migrando, posteriormente,
para as tecnologias computacionais.
É com o uso das tecnologias
computacionais que tem início a história propriamente dita da poesia digital,
especificamente, no ano de 1959, com o texto estocástico, ou de variação
randômica, de Theo Lutz (1932-2010) — a quem o autor merecidamente dedica sua
obra —, e chega até os dias atuais, período posterior ao surgimento dos
protocolos da Internet e da World Wide
Web (WWW).
Das negociações semióticas do poeta
com as tecnologias e das relações das linguagens artísticas, poéticas e
tecnológicas, como enfatiza o autor, emerge a poesia que circula atualmente,
entre diversos meios, pelo telefone celular, computador, Internet e WWW. Esta poesia mantém seu elo com os
tipos anteriores de poesia (oral, manuscrita, impressa etc.) pelo uso da
palavra como seu elemento motivador. Entretanto, não se trata apenas de uma
adequação direta da poesia aos novos suportes; o autor demonstra que há todo um
percurso da poesia para realizar as mutações e transmutações necessárias para
que a função poética predomine nesses novos meios.
A poesia digital, segundo Jorge Luiz
Antonio, é configurada pelo uso da palavra, imagem estática e/ou animada, som,
hipertextualidade, hipermídia e interatividade, formatada pela linguagem de
programação do computador. A presença da palavra nessa nova poesia não implica
no predomínio da semântica verbal. Nela, elementos de todas as linguagens operam
no estabelecimento dos significados. A partir dessas constatações, o autor nos
leva a entrever a possibilidade até mesmo de se pensar num “alargamento” do próprio
conceito de literatura, especificamente da poesia, na contemporaneidade.
Os mais de 500 exemplos de poemas
levantados no estudo levam o autor a afirmar que o crescente uso das
tecnologias digitais por parte de poetas de diversos países evidencia a
existência de um movimento internacional descentralizado e em expansão. Esses vários
exemplos mostram também que o termo poesia digital, como o vemos no título do
livro/DVD, só pode ser utilizado de maneira genérica. Sendo assim, o autor não
deixa de discutir e colocar em questão esta e tantas outras denominações que
vêm sendo atribuídas a essa prática poética.
Segundo Jorge Luiz Antonio, as
denominações se multiplicam em meio aos mais diversos procedimentos de criação.
O estudo mostra que a proliferação de termos e denominações se deve às
constantes transformações da tecnologia. A cada mutação da tecnologia, surgem
novas denominações, tais como “poesia computacional”, “tecno-arte-poesia”, “poesia
eletro-eletrônico-digital”, “poesia das novas mídias”, “poesia eletrônica” etc.
Não poderíamos terminar sem dizer
que Poesia Digital: negociações com os processos
digitais: teoria, história, antologias é um estudo consistente, de grande
fôlego e muito bem arquitetado. A constatação do autor da existência de uma
poesia que está interagindo e intervindo na linguagem computacional com o
propósito de criar uma linguagem poético-computacional, aponta não para a “tecnologização”
da literatura, mas para uma revolucionária poetização da técnica.
Vale a pena ler o livro/DVD de Jorge
Luiz Antonio, assim como vale a pena revisitá-lo como um constante material de
referência.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
david salle: apropriação e pós-produção
David Salle (1952 - )
O pintor americano, David Salle, é conhecido pela apropriação de imagens de revistas, fotografias pessoais, pornografia etc., que são combinadas de modo aleatório, não como colagens, mas na forma de grandes pinturas.
O artista reflete sobre a preocupação com a identidade individual num mundo inundado por imagens.
Em geral, não há uma ligação lógica entre as imagens, que podem ser sobrepostas, transparentes ou contornadas por linhas e formas geométricas.
domingo, 4 de agosto de 2013
lucian freud: people only
Lucian Michael Freud (1922 - 2011)
Lucian Freud, artista nascido na Alemanha e naturalizado britânico, neto de Sigmund Freud, é frequentemente associado ao Surrealismo, mesmo tendo se dedicado apenas à pintura de retratos, a partir dos anos 1950.
"Eu pinto gente", diz Freud, "não pela maneira que elas se parecem, não exatamente a despeito do que elas são, mas como elas por acaso se parecem."
Freud teve cerca de 40 filhos, reconhecendo todos quando adultos. O artista faleceu em 2011, aos 88 anos.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
pierre klossowski e balthus klossowski: zonas proíbidas
Os irmãos Pierre e Balthus Klossowski, franceses filhos de uma família de origem polaca, desafiaram o mundo da arte ao longo de décadas. Ambos criavam imagens que confrontavam o observador a encarar zonas proibidas ou reprimidas da consciência.
Pierre Klossowski
Balthus Klossowski
Ao mesmo tempo que o estilo dos dois artistas remonta aos mestres clássicos, o tema é desafiante e moderno e quase poderia ser uma ilustração dos estudos sobre sexualidade de Freud, cujas ideias exerceram um impacto tremendo sobre a arte do século XX.
Pierre Klossowski (1905-2001)
Balthus Klossowski (1908-2001)
Pierre morreu em Paris, aos 96 anos, no dia 12 de Agosto de 2001, seis meses após a morte do seu irmão, Balthus.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Tomás Saraceno: in orbit
Tomás Saraceno é conhecido pela ousadia de suas obras. O artista criou uma instalação, semelhante a uma teia de aranha, suspensa 20 metros acima do largo principal do museu. Intitulada de In Orbit, esta peça interativa gigante pode ser acessada de várias partes do museu e está dividida em três níveis de rede distintos, com bolas PVC de 8,5 metros de diâmetro para separá-los. A paisagem no centro do museu se altera completamente.
O mais curioso é que quando as pessoas entram na instalação, a tensão dos fios de aço vai-se alterando também, bem como os três intervalos de rede, o que significa que os visitantes têm de coordenar as suas ações dentro do espaço, entendendo-o por meio de vibração.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
jean dubuffet: art brut
Jean Dubuffet (1901-1985)
A expressão Art Brut foi criada pelo pintor francês Jean Dubuffet, primeiro teórico da arte bruta e crítico da cultura dominante, em 1945, para designar a arte produzida por artistas autodidatas livres de qualquer influência de estilos oficiais, como as diversas vanguardas ou imposições do mercado de arte.
Para o artista, a arte não deveria ser esteticamente agradável e seu desenho enfatizava um processo de criação lento e difícil, rejeitando a facilidade e a impulsividade característicos da arte abstrata.
A arte bruta busca inspiração em fontes que diferem da tradição ocidental e da cultura dominante e, na maioria das vezes, é feita por pacientes de hospitais psiquiátricos ou detentos de prisões, que fazem arte na sua forma mais pura e inicial, com imagens vindas do inconsciente. Por isso, as obras parecem representar sentimentos, emoções e inconformismo.
sábado, 4 de maio de 2013
hans bellmer: the darkest dream
Hans Bellmer (1902 - 1975)
Escultor e fotógrafo alemão, Hans Bellmer, é conhecido por suas esculturas/bonecas em tamanho natural. Filho de uma mãe amorosa e de um pai odioso e dominador, Bellmer usou a arte para trabalhar seus sentimentos de dor e confusão. O artista, influenciado pelas teorias de Freud, buscava um processo de autoterapia para lidar com seus conflitos mais profundos.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
louise bourgeois: art as the garantee of sanity
Louise Bourgeois (1911 - 2010)
Louise Bourgeois, artista franco-americana, desenvolveu sua obra em torno do sentimento de abandono e de questões pertinentes aos relacionamentos humanos e/ou nos relacionamentos entre entre homens e mulheres.
As tensões entre eu e outro, estranhamento e intimidade, proteção e vulnerabilidade estão sempre presentes em seu trabalho.
Sua obra mais conhecida no mundo é a escultura da aranha gigante intitulada "Maman", da qual existe uma versão no MAM-SP, a principal dessa peça ou a "original" encontra-se na Galeria Tate, em Londres.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
bernnô: a pintura automotiva
José Bernnô (1949 - 2009)
O artista paulistano Bernnô, através do domínio das técnicas da pintura automotiva, trilhou uma carreira artística reconhecida pela crítica e pelo público.
Rodrigo Naves, crítico de arte, descobriu as pinturas de Bernnô ao levar seu carro à funilaria / ateliê do artista. Naves ajudou a realizar a primeira exposição de Bernnô, em 2008. Infelizmente, um ano depois, aos 60 anos, o artista faleceu enquanto dormia.
domingo, 7 de abril de 2013
a poética vegetal de jean-jacques piegeon
Jean-Jacques Pigeon desenvolve sua poética a partir da observação da natureza, em especial dos frágeis galhos e brotos, que são transpostos para imagens que evocam a opulência do universo estético da corte de Luis XIV, o Rei Sol.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
terça-feira, 26 de março de 2013
león ferrari: a ameaça do inferno
León Ferrari, artista argentino de mais de 80 anos, continua causando polêmicas. Já teve mostras censuradas e sofreu ameaças de toda espécie, a de que vai para o inferno é a mais freqüente delas.
Sua obra é marcada pela contestação contundente ao cristianismo e às formas totalitárias de poder.
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